domingo, 20 de maio de 2012

A menina má e o bom menino


[Bom menino]
- Desejo você – sussurrei-lhe no ouvido, mordiscando a ponta da orelha. – Você está mais bonita do que nunca, peruanita. Quero você, desejo você com toda a minha alma, com todo o meu corpo. Nesses quatro anos, não tenho feito outra coisa senão sonhar com você, amar e desejar você. E também amaldiçoar. Todo santo dia, toda noite, sem faltar um dia.
[retrucou a menina má]
- Você deve ser a última pessoa no mundo que ainda diz essas coisas às mulheres. – Que breguices você diz, Ricardito!
[Bom menino]
- O pior não é dizer. O pior é que as sinto. São verdade.
Foi só vê-la para reconhecer que, mesmo sabendo que qualquer relação com a menina má estava condenada ao fracasso, a única coisa que eu realmente desejava na vida, com a mesma paixão que outros dedicam a perseguir a fortuna, a glória, o sucesso ou o poder, era ela, com todas as suas mentiras, suas confusões, seu egoísmo e seus desaparecimentos.
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Referências:
VARGAS LLOSA, Mario. Travessuras da menina má. Trad. Ari Roitman e Paulina Watht. Rio de Janeiro: Objetiva, 2010 pp. 128 e 130

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