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quarta-feira, 9 de abril de 2014

Ob nicht natur zuletzt sich doch ergründe? 
Goethe

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Citação encontrada em:
SCHOPENHAUER, Arthur.
O mundo como vontade e representação. Col. "Os pensadores", trad. Wolfgang Leo Maar e Maria Lúcia Mello e Oliveira Cacciola. São Paulo: Nova Cultural, 1999. p.19
Nota dos tradutores: "Não se haverá de compreender por fim a natureza em seu âmago?"

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Fragmentos III

Na academia que havia em Roma, e no palácio da sereníssima rainha de Suécia Christina Alexadra, coma assistência de muitos cardeais e monsenhores, se propôs um problema no anod de 1674 cujo argumento foi este. Se o mundo era mais digno de riso, ou de lágrimas, e qual dos dois gentios andara mais prudente, se Demócrito, que ria sempre, ou Heráclito, que sempre chorava.

Entrando pois na questão de se o mundo é mais digno de riso ou de pranto, e se à vista do mesmo mundo tem mais razão quem ri, como ria Demócrito, ou quem chora, como chorava Heráclito, eu, para defender como sou obrigado, a parte do pranto, confessarei uma coisa e direi outra. Confesso que a primeira porpriedade do racional é o risível: e digo que a maior impropriedade da razão é o riso. O riso é o final do raciona, o pranto é o uso da razão. Para confirmação desta, que julgo evidência, não quero maior prova que o mesmo mundo, nem menor prova que o mundo todo. Quem conhece verdadeiramente o mundo, precisamente há de chorar; e quem ri, ou não chora, não o conhece.

Que é este mundo, senão um mapa universal de miséria, de trabalhos, de perigos, de desgraças, de mortes à vista de um teratro imenso, tão trágico, tão funesto, tão lamentável, aonde cada reino, cada cidade e cada casa continuamente mudam a cena, aonde cada sol que nasce é um cometa, cada dia que passa um estrago, cada hora e cada instante mil infortúnios; que homem haverá (se acaso houver homem) que não chore? Se não chora, mostra que não é racional; e se ri, mostra que também são visíveis as feras.

Mas se Demócrito era um homem tão grande entre os homens e um filósofo tão sábio, e se não só via este mundo, mas tantos mundos, como ria? Poderá dizer-se que ele ria não deste nosso mundo, mas daqueles seus mundos.

E com razão, porque a matéria de que eram compostos os seus mundos imaginados, toda era de riso. É certo, porém, que ele ria neste mundo e que se ria deste mundo. Como, pois, se ria ou podia rir-se Demócrito do memso mundo ou das mesmas coisas que via e chorava Heráclito? A mim, senhores, mo parece que Demócrito não ria, mas que Demócrito e Heráclito ambos choravam, cada um ao seu modo.

Que Demócrito não risse, eu o provo. Demócrito ria sempre: logo nunca ria. A consequência parece difícil e evidente. O riso, com dizem todos os filósofos, nasce da novidade e da admiração, e cessando a novidade ou a admiração, cessa também o riso; e como Demórcito se ria dos ordinários desconcertos do mundo, o que é ordinário e se vê sempre, não pode causar admiração nem novidade; segue-se que nunca ria, rindo sempre, pois não havia matéria que motivasse o riso.

Confirma-se mais esta verdade com o motivo e intenção de Demócrito proque não pode haver riso que se não origine de causa que agrade: Tudo o que Demócrito se ria, não só lhe desagradava muito, mas queria mostrar que lhe desagradava. (...)

Não digo que seja contrário aos princípios da verdadeira filosofia e da experiência. A mesma causa quando é moderada e quando é excessiva, produz efeitos contrários: a luz moderada faz ver, a excessiva, produz efeitos contrários: (...) [assim], a dor, que não é excessiva, rompe em vozes, a excessiva emudece. Desta sorte a tristeza, se é moderada faz chorar; se é excessiva, pode fazer rir; no seu contrário temos exemplo: a alegria excessiva faz chorar e não só destila as lágrimas dos corações dedicados e brandos, mas ainda dos fortes e duros.(...)

(...)[Logo, todo o corpo chora]; Heráclito chorava com os olhos, Demócrito chorava com a  boca; o pranto dos olhos é mais fino, o da boca é mais mordaz; e este era o pranto de Demócrito. De sorte que na minha consideração, não só Heráclito, mas Demócrito, choravam, só que com a diferença de que o pranto de Heráclito era mais natural, o pranto de Demócrito mais esquisito.(...)
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Referências:
VIERA, Padre Antônio. O Pranto e o Riso ou as lágrimas de Heráclito defendidas em Roma pelo Padre Antônio Vieira contra o riso de Demócrito. In.: VERDASCA, José (org.). Sermões Escolhidos. São Paulo: Martin Claret, 2003 p.190-193.


(*) Imagem Pe. Antônio Vieira, disponível em: http://www.mundoportugues.org/uploads/imgs/Padre_Antonio_Vieira.jpg, 01.04.2012, 19:57h.

domingo, 1 de abril de 2012

Fragmentos II

Desde 1934 -- Lampião à solta, Antônio Silvino preso no Recife, Sinhô Pereira arribado para os lados de Minas Gerais -- Clarival Valladares despertava para o mundo de significados que o cangaceiro carregava penduradas, afiveladas, cravadas ou costuradas no conjunto do traje e nos equipamentos, como ainda hoje se vê no aguadeiro das feiras do Marrocos, as cartucheiras envernizadas e bem ajoujadas ao corpo, a não deverem homenagem -- senão a requerê-la -- à guarda de um Ibn-Saud. Com a população portuguesa drenada para a aventura da Índia, foi o moçárabe, em boa parte, que veio povoar o Brasil. Presença viva na cultura brasileira, a árabe, por suas muitas composições, teve aulas a dar em maior número a um sertão de 500 mm de chuva anual que a uma faixa litorânea de fáceis 1.500 mm. O que Valladares percebeu foi a raiz pastoril da estética do cangaço, encantando-se por ver que a do guerreiro ia muito além da que pontuava as alfaias magras do pastor, por não se ver empobrecida pelo teto limitador da funcionalidade, capaz de explicar tudo na vestimenta do vaqueiro. Para ele, assim:

O traje do cangaceiro é um dos exemplos demonstrativos do comportamento arcaico brasileiro. Ao invés de procurar camuflagem para a proteção do combatente, é adornado de espelhos, moedas metais, botões e recortes multicores, tornando-se um alvo de fácil visibilidade até no escuro. lembremo-nos, entretanto, que, no entendimento do comportamenteo arcaico, o homem está ligado e dependente ao sobrenatural, em nome do qual ele exerce uma missão, lidera um grupo, desafia porque se acredita protegido e inviolável e, de fato, desligado do componente da morte. Esta explicação, embora sumária, de algum modo justifica a incidência da superfluidade ornamental no traje do cangaceiro, que, antes de sua implicação mística, deriva do empírico traje do vaqueiro.
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Referências:
MELLO, Frederico Pernambuco de. Estrelas de couro - a estética do cangaço. São Paulo: Escrituras, 2010, p. 48-9 (adaptado). Extraído de: Prova do IRB, admissão à carreira de diplomata. p.1.
(*) Imagem disponível em: http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/maio2007/fotosju358-on-line/12c.jpg, 01.04.2012 16:00h

quinta-feira, 29 de março de 2012

Fragmentos I


No fundo do mato-virgem nasceu Macunaíma, herói da nossa gente. Era preto retinto e filho do medo da noite. Houve um momento em que o silêncio foi tão grande escutando o murmurejo do Uraricoera, que a Índia Tapanhumas pariu uma criança feia. Esssa criança é que chamaram de Macunaíma.

Já na meninice fez coisas de sarapantar. De primeiro passou mais de seis anos não falando. Si o incitavam a falar exclamava:

        -- Ai! que preguiça!...

e não dizia mais nada. Ficava no canto da maloca, trepado no jirau de paxiúba, espiando o trabalho dos outros e principalmente os dois manos que tinha, Maanape já velhinho e Jiguê na força do homem.

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Referências bibliográficas:
ANDRADE, Mário. Macunaíma, o herói sem nenhum caráter. Rio de Janeiro: Agir, 2008,p. 13.
(*) Imagem disponível em: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiSrmnozPxX0Y54Q0oqtfD5OeeorImBL5-fFOnMl0G24l2CXpQcXACemcS18Wj0QPOdnGIL4rKY_y7x5k-KLvhvutyvSUmijF9e9mD4fFjnlpxXboXvWQIv9geOl6uvsKWDJ2RwUwV9N5w/s1600/mario_andrade_macunaima.jpg, 29.03.2012 223:20h

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Paradoxos ...

René Descartes (1596-1650): Penso, logo existo;

Thomas Hobbes(1588-1679): É extremamente difícil conceber o pensamento sem antes conceber o ser pensante;

Georg W. F. Hegel(1770-1831): O homem é um ser de pensamento;

Karl Marx(1818-1883): O homem é um ser de necessidades; A consciência jamais pode ser maior do que o ser consciente; Hegel equivoca-se quando escreve uma filosofia do céus à Terra, invertamos este pensamento e compreenderemos a realidade.
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Referências:
(**) Imagem de Thomas Hobbes disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Thomas_Hobbes_(portrait).jpg, 19/11/2010 19:47hs.
(***) Imagem de G. F. W. Hegel disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Hegel.jpg, 19/11/2010 19:47hs.
(****)Imagem de Karl Marx disponível em: http://en.wikipedia.org/wiki/File:Karl_Marx_001.jpg, 19/11/2010 19:48hs.

domingo, 11 de julho de 2010

Quando Nietzsche chorou - fragmento...

Retirei o texto abaixo da coluna do meu amigo Flávio Marcus da Silva, por ser infinitamente belo e reflexivo.

Chegar aos quarenta abalou a idéia de que tudo me era possível. Subitamente, entendi o fato mais óbvio da vida: que o tempo é irreversível, que minha vida estava se consumindo. É claro que eu já sabia disso antes, mas sabê-lo aos quarenta foi uma espécie diferente de saber. Agora, sei que o rapaz infinitamente promissor foi meramente uma ordem de marchar, que promissor é uma ilusão, que infinitamente não tem sentido e que estou em fileira cerrada com todos os outros homens em direção à morte.
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Fonte
Coluna de Flávio Marcus da Silva, disponível em: http://www.grnews.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=14225%3Ao-rapaz-infinitamente-promissor&catid=60%3Aflavio-marcus&Itemid=166, 11/07/2010 13:06hs

(*) Imagem disponível em: http://www.google.com.br/imgres?imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjqtaFtJK0V2zg948Mc5pWU_ffcJYEZAUItUylWs9GnG1CJYZOVn69f5VL57FDZBsWQ6aBdrkSxMr11VzPt9qNVRFgprdAt1Utngswm4qLHSpKV6y9-MFuTH9hfpZIBQo6JBt4xpBx7vday/s1600/chorou_livro.png&imgrefurl=http://empregovirtual.blogspot.com/2009/11/indicacao-de-livros-irvin-d-yalom.html&usg=__VBPB91UgEVZMUddWbtWwK2mMopM=&h=272&w=180&sz=35&hl=pt-BR&start=8&itbs=1&tbnid=oHUsp3WsSSCxXM:&tbnh=113&tbnw=75&prev=/images%3Fq%3Dquando%2Bnietzsche%2Bchorou%26hl%3Dpt-BR%26gbv%3D2%26tbs%3Disch:1, 11/07/2010, 13:11hs

sábado, 1 de maio de 2010

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Os dias por Plauto.

Os deuses instilaram ansiedade no primeiro homem que descobriu como distinguir as horas. Produziram também ansiedade naquele que neste lugar construiu um relógio de sol, para cortar e picar meus dias tão desgraçadamente em pedacinhos!
Plauto.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ciência e ideologia

O mais gostoso das aulas de Sociologia, sem dúvida, é sua preparação. Em um momento, preparando-me para falar sobre ciência, deparei-me com o belo texto abaixo. Jamais pensei encontrar uma pérola como esta em um livro sobre economia:

Poucas pessoas se dão ao trabalho de estudar a origem de suas próprias convicções. Gostamos de continuar a crer no que nos acostumamos a aceitar como verdade. Por isso, a maior parte de nosso raciocínio consiste em descobrir argumentos, para continuarmos a crer no que cremos.
J. H. Robinson


Poucos se aventuram a entender a demanda efetiva, analisada por John Maynard Keynes(1883-1946) em sua obra; O excerto da obra de Joan V. Robinson(1903-1983), abaixo, detêm-se a examinar o assunto:


Nessas condições [o que os economistas chamam idade de ouro], a taxa de salários reais se eleva na mesma proporção que a produção por trabalhador. O custo da mão-de-obra em termos de seu produto permanece constatnte para cada empregador, permanecendo também constante a taxa de lucro sobre o capital. O consumo das famílias dos trabalhadores e das famílias dos capitalistas se eleva no mesmo compasso de elevação da produção de bens de consumo. Toda a economia permanece em equilibrio nas condições de uma idade de ouro. A elevação contínua da demanda se dá em compasso com a elevação contínua da produção potencial, mantendo assim a tensão da economia. As expectativas de lucro sobre o investimento são continuamente confirmadas e renovadas. O investimento é mantido a um ritmo que permite a concretização dos benefícios do progresso técnico.
A parcela representada pelos salários na composição da renda líquida, da mesma forma que a razão entre o valor do capital e a renda líquida, se mantêm constantes com o passar do tempo.

Joan V. Robinson(1903-1983)
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Referências:
ROBINSON, Joan Violet. Demanda efetiva. In.: Ensaios sobre a teoria do crescimento econômico. Trad. Paulo de Almeida. São Paulo: Nova Cultural, 1997. (p.219).

J.H. Robinson. Universidade Pensilvânia. Depto. de História. Disponível em: http://www.fordham.edu/halsall/source/constance1.html.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

The political language

Political language is designed to make lies sound truthful and murder respectable, and to give the appearance of solidity to pure wind.
--- George Orwell ---.
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(*) Foto disponível em:http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/23/GeoreOrwell.jpg, 19/04/2010, 18:14hs.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Os sentidos nos traem ...

Um excerto de uma das obras de Marcel Proust, traz à luz, em uma reflexão cotidiana, a máxima do pensamento Cartesiano:

(...) de modo que cada novo encontro é uma espécie de reafirmação que nos traz de volta ao que muito bem tínhamos visto. Mas já não nos lembrávamos, porque o que chamamos recordar uma criatura é na realidade esquecê-la. Enquanto ainda sabemos ver, no momento em que nos aparece o traço esquecido, nós o reconhecemos e temos de retificar a linha desviada, e vinha daí que, na perpétua e fecunda pela qual me eram tão saudáveis e suaves aqueles cotidianos encontros com as moças à beira-mar, entrassem em partes iguais as descobertas e as reminiscências.(...) Toda criatura se destrói quando deixamos de vê-la; seu aparecimento seguinte é uma criação nova, diversa da imediatamente anterior, se não de todas.(...) No confronto de nossa recordação com a realidade nova, é isso que há de marcar nossa decepção ou surpresa, e se nos afigura um retoque da realidade, avisando-nos de que havíamos recordado mal. E por sua vez esse aspecto do rosto, anteriormente desdenhado, e justamente por isso mais sedutor agora, mais real e significativo, se converterá em matéria de sonhos e recordações.(...).

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Marcel Proust. Em busca do tempo perdido: À sombra das raparigas em flor. Volume 2. pp. 578,579.
(*) Ilustração: imagem atribuída a René Descartes. disponível : http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/73/Frans_Hals_-_Portret_van_Ren%C3%A9_Descartes.jpg
02/04/2010 13:11hs.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Homem?! Mas que homem?

O autor francês Joseph de Maistre (1753-1821) em sua obra Considerações sobre a França (Considerátions sur la france - 1797), critica de forma irônica as pretensões universalistas e racionalistas do Iluminismo (movimento intelectual do século XVIII, conhecido como século das luzes, que cultivava a soberania da razão.):

A constituição de 1795, tanto quanto as que precederam, é feita pelo homem. Ora, não existe o homem no mundo. Eu vi na minha vida franceses, italianos, russos etc.; quanto ao homem, porém, eu declaro não tê-lo encontrado na minha vida; se ele existe, eu desconheço.
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Referências:
Excerto extraído da obra: Compêndio de Sociologia (Précis de sociologie). Philippe Riutort. São Paulo: Paulus, 2008. (p.19)
(*) Foto disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/2b/Jmaistre.jpg em 22/02/2010, 23:46

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Organizar é destruir ...

Aguardando imagem
O Rei do Mar do Sul era age-conforme-teu-palpite,
O Rei do Mar do Norte era age-num-relâmpago.
O Rei do lugar entre um e outro era o Não-Forma.
Ora, o Rei do Mar do Sul
e o Rei do Mar do Norte
Costumavam ir juntos frequentemente
a terra do Não-Forma.
Este os tratava bem.
Então, consultavam entre si,
Pensavam num bom plano,
Numa agradável surpresa para Não-Forma
como penhor de gratidão.
'Os homens', disseram, 'têm sete aberturas
para ver, ouvir, comer, respirar,
e assim por diante. Mas o Não-Forma
não tem aberturas. Vamos fazer nele
algumas aberturas'.
Depois disso
fizeram aberturas em Não-Forma,
Uma por dia, em sete dias.
Quando terminaram a sétima abertura,
seu amigo estava morto.
Disse Lao Tan: 'Organizar é destruir'
( A vida de Chuang Tzu. Petrópolis, 1969, p.86-87)

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(*)Excerto do livro: Introdução ao pensar: O Ser, o Conhecimento, a Liguagem. Arcângel R. Buzzi, 31ª edição, ed. Vozes, Petrópolis: 2004. (p.70)
(**)Imagem disponível em: http://art-energy.org/media/mencius.jpg, 16/02/2010, 11:14hs

Com que direito? (2) ...

No dia em que ali chegaram, os espanhóis pararam de manhã para o desjejum no leito seco de um riacho que ainda conservava algumas poças d'água, que estava repleto de pedras de amolar: o que lhes deu a idéia de afiar as espadas. Chegando à aldeia, alguns tiveram a idéia de verificar se as espadas estavam tão cortantes quanto pareciam. Um soldado, subitamente, desembainhou a espada (que parecia tomada pelo diabo), e imediatamente os outros fizeram o mesmo, e começaram a estripar, rasgar e massacrar aquelas ovelhas e aqueles cordeiros, homens e mulheres, crianças e velhos, que estavam sentados, tranquilamente, olhando espantados para os cavalos e para os espanhóis. Num instante, não restam sobreviventes de todos os que ali se encontravam e o sangue corria por toda a parte, como se tivessem matado um rebanho de vacas. [Frei Bartolomé de Las Casas(1474-1566)]
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(*) Image disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/d/db/Bartolomedelascasas.jpg, 16/02/2010 10:48

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Com que direito?


"Com que direito haveis desencadeado uma guerra atroz contra essas gentes que viviam pacificamente em seu próprio país? Por que os deixais em semelhante estado de extenuação? Os matais a exigir que vos tragam diariamente seu ouro. Acaso não são eles homens? Acaso não possuem razão, e alma? Não é vossa obrigação amá-los como a vós próprios? (...)" (*)

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(*) excerto do livro: O Paraíso Destruído: A sangrenta história da conquista da América espanhola, por Frei Bartolomé de Las Casas. (p.13)

hoje, Padre ...

Hoje, Padre, entra nessa casa comigo.
vou mostrar-te as cartas, o tormento
de meu povo, do homem perseguindo.
Vou mostrar-te as dores antigas.

E para não tombar, para firmar-me
sobre a terra, continuar lutando,
deixa em meu coração o vinho errante
e o pão implacável de tua doçura.
(Pablo Neruda. "Frei Bartolomé de Las Casas", in Canto Geral)
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(*) O texto acima reproduzido, obviamente aposto pelos editores atuais, encontra-se na primeira página da reprodução da obra: O Paraíso Destruído: A sangrenta história da conquista da América, de Frei Bartolomé de Las Casas (1474-1566). Porto Alegre: L&PM, 2007.

(**) Imagem acima obtida disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/8/86/Pablo_Neruda_%281966%29.jpg, 16/02/2010 18:43hs

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Homem, libertar e prisão

O homem só poderá se libertar da prisão de si mesmo quando parar de se compreender como sujeito e tudo o mais como objeto, quando começar a retomar os movimentos da vida e as aberturas do ser que acontecem antes dele e lhe servem de base. (Heinrich Rombach)
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Referências:
Citado por: BUZZI, Arcângelo R. Capítulo 3 - Antropologia. In.: Introdução ao Pensar: O ser, o Conhecimento, a Linguagem. ed. Vozes. Rio de Janeiro: 2004. (p. 61).

(*) A foto de Heinrich Rombach (1923-2004), pode ser encontrada em: http://viewmorepics.myspace.com/index.cfm?fuseaction=viewImage&friendID=500293587&albumID=130267&imageID=679220, disponível em 04 de fevereiro de 2010, 21:34