Por Vinícius de Moraes(*)
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.
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Moraes, Vinícius. Ternura. In.: Antologia Poética. São Paulo: Companhia das letras, 2009.p. 114.(*)
"É a inteligência que vê, é a inteligência que escuta -- todo o resto é surdo e cego." Epicarmo de Siracusa. "It's the intellect what to see, it is the intellect what hear -- everything else is hollow and blinding." Epicarmus from Siracusa
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sábado, 17 de outubro de 2015
domingo, 4 de maio de 2014
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro
Alguém com seu carinho e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança
Do tempo que eu era criança
E o medo era motivo de choro
Desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei
Nem reclamei abrigo
Do escuro, eu via um infinito sem presente
Passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo,
era uma coisa sua que ficou em mim,
que não tem fim
De repente a gente vê que perdeu
Ou está perdendo alguma coisa
Morna e ingênua
Que vai ficando no caminho
Que é escuro e frio, mas também bonito
Porque é iluminado
Pela beleza do que aconteceu
Há minutos atrás.
Saudades de minha mãe: 1943 - 2004.
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Poema Cazuza.
COSTA, Adriana Cajado. Psicanálise e saúde mental: a análise do sujeito psicótico na instituição
psiquiátrica. São Luis/MA: EDUFMA, 2009.
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
Encarnação
Carnais sejam carnais tantos desejos,
Carnais, sejam carnais tantos anseios,
Palpitações e frêmitos e enleios,
Das harpas da emoção tantos arpejos...
Sonhos, que vão, por trêmulos adejos,
À noite, ao luar, intumescer os seios
Lácteos, de finos e azulados veios
De virgindade, de pudor, de pejos...
Sejam carnais todos os sonhos brumos
De estranhos, vagos, estrelados rumos
Onde as Visões do amor dormem geladas...
Sonhos, palpitações, desejos e ânsias
Formem, com claridades e fragrâncias,
A encarnação das lívidas Amadas!
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(CRUZ e SOUZA, João da. Encarnação. In.: Obra completa org. Andrade Murici. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995 (p.72-3).
(*) imagem disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/35/Cruz_e_Sousa.jpg 06.02.2013 22:07.
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